Portugal nos últimos 365 dias e de acordo com as várias fases de evolução da pandemia do novo Coronavírus

No dia em que se assinalou um ano sobre a declaração do primeiro Estado de Emergência em Portugal, a SIBS divulga um relatório completo sobre a evolução do consumo em Portugal nos últimos 365 dias e de acordo com as várias fases de evolução da pandemia do novo Coronavírus no nosso país.

O documento – abrangente, factual e o mais atualizado possível, tem por base dados do SIBS Analytics e engloba um conjunto de indicadores ímpares e inéditos que permite compreender as consequências reais da pandemia em várias vertentes. A análise evidencia 3 fases: “1º confinamento”, com uma redução acentuada do consumo; “Fases de restrições”, com uma recuperação progressiva; e “2º confinamento”, com uma nova queda no volume de transações.

De modo geral e agregado, os dados do SIBS Analytics permitem concluir que o 1º confinamento revelou ser a fase mais agressiva de travagem do consumo nos últimos 365 dias de pandemia. De facto, a variação homóloga no 2º confinamento (-19,2%) foi aproximadamente metade do valor registado no 1º confinamento (-40,4%), no total de operações (compras físicas, compras online e levantamentos), o que poderá indicar uma certa adaptação dos consumidores e empresas ao contexto de pandemia, com alterações estruturantes e com os serviços não presenciais a afirmarem-se como uma tendência que veio para ficar.

Ao comparar os dois confinamentos, são igualmente visíveis algumas diferenças no indicador da mobilidade em Portugal. O índice da SIBS, que inclui compras físicas e online nos setores de transporte de passageiros e gasolineiras, bem como outras operações relacionadas com mobilidade (parques, portagens e viagens), revela diminuições significativas nas deslocações entre 18 março e 3 maio de 2020 (-64% face ao período pré-pandemia), e entre 15 de janeiro e 17 de março de 2021, onde a quebra na mobilidade em Portugal ficou pelos -45%.

Ainda sobre o mesmo indicador, tem-se observado, ao longo do último ano, uma tendência de saída das metrópoles – regiões de Lisboa e Porto –, sendo este movimento reforçado nos períodos de confinamento. A saída do concelho (índice medido pelas transações realizadas) verifica-se em 30% a 40% dos cartões – possivelmente relacionada com a atividade laboral – e a saída do distrito de origem em 6% a 14% dos cartões – potencialmente associada a segundas casas. Tomando os cartões com origem no concelho de Lisboa como exemplo, observou-se que 13% a 14% saíram do distrito durante os períodos de confinamento, quando essa taxa se situa normalmente nos 6% – valor que mais do que duplica nos períodos de maiores restrições. 

Também no que se refere às compras físicas a quebra no consumo em loja foi menos acentuada no 2º confinamento, comparativamente com o 1º: a variação homóloga foi de –29% de meados de janeiro a meados de março de 2021, enquanto no período de março a maio de 2020, assistimos a uma variação de aproximadamente metade (-47%). Neste segmento, referir ainda que, durante os períodos de confinamento, os portugueses preferiram o dia de sábado, pelas 12 horas, para realizarem as suas compras.